Tentativa de analise. A dor encostando, angustia chegando... Sublimação, então! A produção de textos é o amor chegando em mim. E o desejo move a ação da utilização do instrumento tecnológico. Poemas, Crônicas, Críticas, Artigos...
sábado, 24 de setembro de 2011
Pausa: Cuando el enlace no enlaza...
Pausa: Cuando el enlace no enlaza...: Después de un tiempo de receso invernal, los Líos de faltas –cual alergia- vuelven al ataque en primavera. Así es que comenzaré una nueva ...
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Em minha direção
Ele veio caminhando
Em minha direção
O semblante
Resolvido
Tive medo, estaria perdida?
O abraço forte
Retira o pânico
Mas o olhar resoluto
Aumenta a minha tensão
O amor, admiração
O saber quem é
A posição
Senti inveja da sua determinação
E eu vi uma imensidão de ser
Deixar-me atarantada
Zonza...
E eu, sem fazer idéia
Que a idéia que eu tinha
Daquele homem
Era tão real
Busquei toda a coragem
Para não ver a autoridade
Apenas bondade
Então
Coloquei a minha cabeça
Em seus ombros
E chorei...Malu Calado
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Comunicado de Jacques-Alain Miller, Pela liberação de Rafah NACHED
A Associação Mundial de Psicanálise convida a todos os seus membros e àqueles que receberem este Comunicado, a aderir à Petição pela imediata liberação da psicanalista Rafah NACHED.
Como é sabido, Rafah NACHED exerce a psicanálie na Síria, após haver-se diplomado em psicologia clínica em uma Universidade de Paris. Ela foi presa no sábado, 10 de setembro, no aeroporto de Damasco, no preciso momento de embarcar para Paris, onde sua filha está para dar a luz. Até o momento, os serviços de informação têm se negado a dar notícias sobre sua situação.
Os psicanalistas argentinos, que em particular, sabem da nefasta história do desaparecimento forçado de pessoas, não poderiam ficar em silêncio, diante de um fato desta magnitude.
As adesões à petição (que abaixo reproduzimos) devem ser dirigidas a: rafah.navarin@gmail.com <mailto:rafah.navarin@gmail.com>
Também reproduzimos a seguir, o Comunicado de Jacques-Alain Miller do dia de hoje às 15:37h de Paris.
Solicito aos Presidentes das Escolas da AMP que traduzam rapidamente para que os membros, nas cinco línguas, possam calibrar suas palavras sobre o alcance do que está em jogo neste contexto.
Buenos Aires, 13 de setembro de 2011 (12h 30)
Leonardo Gorostiza
Presidente de la AMP
Os psicanalistas argentinos, que em particular, sabem da nefasta história do desaparecimento forçado de pessoas, não poderiam ficar em silêncio, diante de um fato desta magnitude.
As adesões à petição (que abaixo reproduzimos) devem ser dirigidas a: rafah.navarin@gmail.com <mailto:rafah.navarin@gmail.com>
Também reproduzimos a seguir, o Comunicado de Jacques-Alain Miller do dia de hoje às 15:37h de Paris.
Solicito aos Presidentes das Escolas da AMP que traduzam rapidamente para que os membros, nas cinco línguas, possam calibrar suas palavras sobre o alcance do que está em jogo neste contexto.
Buenos Aires, 13 de setembro de 2011 (12h 30)
Leonardo Gorostiza
Presidente de la AMP
Comunicado urgente de Jacques-Alain Miller
Paris , 13 de setembro de 2011, 15:37h.
O poder sírio, encurralado, tem se lançado em uma repressão sem piedade.
Alguns de nossos amigos que têm velhos contatos com o governo sírio estão atuando nos bastidores para obter a liberdade de RAFAH, que parece estar sob os pés dos serviços mais duros.
O poder sírio, encurralado, tem se lançado em uma repressão sem piedade.
Alguns de nossos amigos que têm velhos contatos com o governo sírio estão atuando nos bastidores para obter a liberdade de RAFAH, que parece estar sob os pés dos serviços mais duros.
Por outro lado, trata-se de fazer muito barulho para intimidar, se for possível, os assassinos revestidos da autoridade do Estado sírio, ou do que fica deste.
Faço uma chamada às 7 irmãs, às 7 Escolas do Campo Freudiano no mundo e a seus membros um a um, para:
Faço uma chamada às 7 irmãs, às 7 Escolas do Campo Freudiano no mundo e a seus membros um a um, para:
1) Assinar a chamada "Liberdade para RAFAH!, Mobilização por RAFAH!" , isto é o mínimo;
2) Contatar em cada país, com jornalistas, intelectuais, artistas, escritores, personalidades, com o fim de maximizar a função "BARULHO"
3) E, à continuação, se RAFAH continua estando em um lugar desconhecido: concentrações – pacíficas, certamente.
O que está em jogo é de suma importância.
a) As "revoluções" do início do ano convenceram a opinião mundial de que a democracia liberal é uma aspiração dos povos árabes, curvados há muito tempo ao jugo dos ditadores, com a cumplicidade dos "Ocidentados", aliados a esses compradores que traem sem vergonha, o interesse verdadeiro, tanto das classes populares, quanto o da burguesia nacional.
b) Desejo de consumir, liberdade de palavra e de associação, direito ao gozo, sim, em todos os lugares os povos querem, eles também, saborear os prazeres venenosos do Um contável, do Um-só, do qual zomba o Tio SAM. Pouco importa que um pássaro de mau presságio (Lacan Jacques, para não nomeá-lo, o bem conhecido kojevo-heideggeriano) possa pensar que isso não será a panaceia e que o "Paraíso" (Sollers), certamente não está ao final desses fantasmas. Os povos querem isso e a bússola do tempo lógico indica que devem passar hoje pelo momento liberal-consumidor da história do mundo, quer dizer, pela produção intensiva "da falta de gozo"- para ir, um dia , mais além: até à santidade, propunha Lacan.
c) A psicanálise, a prática da associação livre, faz parte integrante deste momento, da mesma maneira que o Ipad, o i-phone, Facebook, Google, as Go Go Girls, Lady Gaga, The Huffington Post, The Daily Show with Jon Stewart, and the whole megillah.
d) RAFAH na prisão, RAFAH raptada, RAFAH apagada, é a tentativa do minus, do Liliputiense, para amarrar o Gulliver do discurso universal. Uma figura do Espíritu que está terminando de envelhecer. Ajudemos à serpente da sabedoria a desembaraçar-se de sua velha pele!
A psicanálise no século XXI converteu-se em uma questão social.
a) As "revoluções" do início do ano convenceram a opinião mundial de que a democracia liberal é uma aspiração dos povos árabes, curvados há muito tempo ao jugo dos ditadores, com a cumplicidade dos "Ocidentados", aliados a esses compradores que traem sem vergonha, o interesse verdadeiro, tanto das classes populares, quanto o da burguesia nacional.
b) Desejo de consumir, liberdade de palavra e de associação, direito ao gozo, sim, em todos os lugares os povos querem, eles também, saborear os prazeres venenosos do Um contável, do Um-só, do qual zomba o Tio SAM. Pouco importa que um pássaro de mau presságio (Lacan Jacques, para não nomeá-lo, o bem conhecido kojevo-heideggeriano) possa pensar que isso não será a panaceia e que o "Paraíso" (Sollers), certamente não está ao final desses fantasmas. Os povos querem isso e a bússola do tempo lógico indica que devem passar hoje pelo momento liberal-consumidor da história do mundo, quer dizer, pela produção intensiva "da falta de gozo"- para ir, um dia , mais além: até à santidade, propunha Lacan.
c) A psicanálise, a prática da associação livre, faz parte integrante deste momento, da mesma maneira que o Ipad, o i-phone, Facebook, Google, as Go Go Girls, Lady Gaga, The Huffington Post, The Daily Show with Jon Stewart, and the whole megillah.
d) RAFAH na prisão, RAFAH raptada, RAFAH apagada, é a tentativa do minus, do Liliputiense, para amarrar o Gulliver do discurso universal. Uma figura do Espíritu que está terminando de envelhecer. Ajudemos à serpente da sabedoria a desembaraçar-se de sua velha pele!
A psicanálise no século XXI converteu-se em uma questão social.
Esta mobiliza por todos os lados, a atenção dos legisladores, sonhando em "Preencher os vazios jurídicos! Com efeito, este é seu Job, sua carga. Mas, a nossa não é essa. A nossa é a de fazer-nos os auxiliares do tempo lógico, ativando por todos os lados, o poder das lacunas, dando jogo aos semblantes, insinuando a liberdade de associação, a associação livre.
A psicanálise se converteu em uma questão social? Indefectivelmente, nos acossan os “sociômanos” (Sollers)? Muito bem! Ser atacado pelo inimigo é uma coisa boa, não má, dizia um sábio chinês. É o momento, é o lógico, de que por todo lado, a psicanálise se converta agora em uma força material, uma força política
Isto é o que está verdadeiramente em jogo no assunto RAFAH.
Isto é o que está verdadeiramente em jogo no assunto RAFAH.
Mobilização a favor de RAFAH !
¡Liberdade a RAFAH !
Fonte:CEPP- Círculo de Estudo Psicanalítico do Piauí
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Reflexões de Análise
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
O CRIME DE LADY GAGA por Marcia Tiburi
FONTE: revistacult.uol.com.br
Site da Revista CULT
Lady Gaga é o mais recente ídolo pop da cena internacional. Entenda-se por ídolo pop um indivíduo que encanta as massas com a habilidade artística de que é capaz sendo seu autor ou o mero representante de uma estética inventada por publicitários e estrategistas de produtos culturais. Nesse sentido, todo ídolo pop age como o flautista de Hamelin conduzindo por certo efeito de hipnose uma quantidade sempre impressionante de pessoas. Ele é também um guia estético e moral das massas. A propósito, entenda-se por massa um grupo de indivíduos que, ao se encontrar com outros, perde justamente a individualidade, tornando-se sujeito de sua própria dessubjetivação. Em outras palavras, ele é hipnotizado como se estranhamente desejasse sê-lo. A Indústria Cultural depende desse mecanismo, por meio do qual oferece ao indivíduo a oportunidade de se perder com a sensação de que está ganhando. O ídolo pop é a humana mercadoria que permite o gozo pelo logro que o espectador logrado aplica a si mesmo.
Lady Gaga certamente veio para nos lograr. Mas, como disse Walter Benjamin sobre livros (e também putas), muitas vezes a mercadoria vale muito mais do que o dinheirinho que pagamos por ela.
O paradoxal desejo das massas
Antes de mais nada, é preciso ver que Lady Gaga, a despeito da qualidade boa ou má de si mesma e do que ela produz, vem a nós com números impressionantes. Se na internet seus vídeos são vistos por milhões de pessoas (certamente, quando você ler este artigo, os números serão ainda maiores) é porque ela mesma sabe – ou o diretor e roteirista de seus belos videoclipes nos quais a quantidade aparece, seja na nota de dólar com o rosto de Gaga como no vídeo de “Paparazzi”, seja em “Bad Romance” nos índices na cena dos computadores – que se trata em sua obra da questão da quantidade, mais do que da qualidade. A Indústria Cultural sempre tem na quantidade uma questão mais importante do que a qualidade, mas, se Lady Gaga sabe disso e não o esconde, é porque elevou o cinismo a discurso, mas, ao mesmo tempo, lança-nos uma ironia capaz de fazer pensar.
A questão da quantidade adquire um contorno subjetivo na mentalidade dos indivíduos aniquilados no todo. Assim, uma característica expositiva da condição das massas de nosso tempo é o próprio “desejo de ser massa”. Trata-se da ânsia de adesão ao todo que se disfarça no desejo de saber o que todo mundo sabe, ver o que todo mundo vê. Complicado falar de desejo das massas, quando a “massa” remonta à possibilidade de se deixar moldar pela ação exterior justamente por ausência de desejo. Podemos, no entanto, entendê-lo usando uma imagem gasta como a da ovelha a participar do rebanho. Um modo de ter lugar desaparecendo mimeticamente no todo. Nesse sentido, o desejo de ser massa é o mesmo que nos coloca na situação de fazer parte da audiência fazendo com que liguemos a televisão no programa mais visto, que queiramos ver o filme com a maior bilheteria, que, caso cheguemos a desejar um livro, seja da lista dos mais vendidos. Fazer parte da audiência é a garantia de que em algum momento estaremos juntos, que faremos parte de uma comunidade mesmo que ela seja apenas “espectro”. A angústia da solidão, da separação e da própria individuação desaparece por um passe de mágica da imagem do ídolo pop.
Uma estética pop para o pós-feminismo?
A obra da jovem Lady Gaga não é objeto descartável como a maioria das mercadorias promovidas no contexto da indústria e do mercado cultural. Se nos detivermos em sua música, em sua dança ou em sua imagem isoladamente, não entenderemos o todo da mercadoria. Portanto, é preciso estar atento à performance que ela realiza. A apreciação disto que devemos hoje chamar de obra-produto ou produto-obra deve começar por aí, tendo em vista que, acima de tudo, Lady Gaga é uma performer que agrega em seus vídeos diversas formas artísticas que vão da música ao cinema, passando pela dança e chegando a uma relação curiosa com um aspecto inusitado da produção contemporânea nas artes visuais. Lady Gaga tange em seus vídeos mais famosos questões que estão presentes na obra de artistas contemporâneas que podemos chamar de vanguardistas por falta de expressão melhor, tais como Cindy Sherman, Daniela Edburg e Chantal Michel. No Brasil, Karine Alexandrino, Paola Rettore ou o pernambucano Bruno Vilella praticam a mesma suave ironia até o mais cáustico deboche com trabalhos sobre mulheres mortas.
O tema da mulher morta torna-se quase um lugar-comum na arte contemporânea, como foi no século 19. Naquele tempo, ele representava o impulso próprio do romantismo que via na mulher falecida e inválida um ideal agora retomado de modo irônico por diversas artistas contemporâneas. Lady Gaga vai, no entanto, muito além dessas artistas em termos de coragem feminista. Enquanto elas zombam das mulheres estereotipadas que morrem como Ofélias por um homem, Lady Gaga, de modo mais surpreendente e corajoso do que importantes artistas cultas, dá um passo adiante.
No vídeo de “Paparazzi” fica exposto o amor-ódio que um homem nutre por uma mulher, a invalidez à qual ela é temporariamente condenada por sua violência e, por fim, uma vingança inesperada com o assassinato desse mesmo homem. “Incitação à violência”, pensarão as mentes mais simples; “feminismo como ódio aos homens”, dirá a irreflexão sexista acomodada, quando na verdade se trata de uma irônica inversão no cerne mesmo do jogo simbólico que separa mulheres e homens. Se em “Paparazzi” o deboche beira o perverso autorizado psicanaliticamente (a mulher sai da posição deprimida ou melancólica e aprende a gozar com seu algoz, que ela transforma em vítima), em “Bad Romance”, “o vídeo mais visto de todos os tempos”, mulheres de branco – como noivas dançantes – surgem de dentro de esquifes futuristas para curar uma louca que chora querendo ter um “mau romance” com um homem. Um contraponto é criado no vídeo entre a imagem do rosto da própria Gaga levissimamente maquiado, demarcando o caráter angelical de sua personagem, em contraposição ao caráter doentio da personagem da mesma Gaga de cabelos arrepiados e olhos esbugalhados. Entre eles a bailarina sensual junto de suas companheiras faz o elogio do corpo que é obrigado a se erotizar diante de um grupo de homens.
A noiva é queimada. Sobre a cama, no fim, a noiva como um robô um pouco avariado, mas ainda viva, contempla o noivo cadáver. A ironia é o elogio do amor-paixão, do amor-doença e morte ao qual foi reduzido o amor romântico pela estética pop da ninfa pós-feminista. O feminismo só tem a agradecer.
Em “Telephone”, a estética eleita é a da lésbica e da pin-up. Ambas criminosas. A primeira por ser uma forma de vida feminina que dispensa os homens, a segunda por ameaçá-los com uma estética da captura (a mulher-imagem-de-papel, a mulher “cromo”, a mulher-desenho-animado que configura o conceito do “broto”, do “pitéu”). No mesmo vídeo o personagem de Gaga compartilha com Beyoncé uma cumplicidade incomum entre mulheres.
Esse sinal é dado no meio do vídeo, quando Beyoncé vai resgatar Gaga na prisão e ambas mordem um pedaço de pão, que logo é lançado fora como algo desprezível. A comida mostra-se aí como o objeto do crime. O vídeo é mais que um elogio ao assassinato do mau romance, ou da vingança contra o evidente amor bandido de quem a personagem de Beyoncé quer se vingar. Trata-se de uma profanação da comida pelo veneno que nela é depositado. O amor bandido é morto pela comida, uma arma simbólica muito poderosa associada à imagem da mulher-mãe, da mulher-doação, dedicada a alimentar seu homem na antipolítica ordem doméstica.
O palco é a lanchonete de beira de estrada como em Assassinos por Natureza, de Oliver Stone. O assassinato é o objetivo do serviço das duas moças perversas que, no fim do vídeo, dançam vestidas com as cores da bandeira norte-americana – meio Mulher Maravilha – diante dos cadáveres de suas vítimas, já que, além do amor bandido, todos morreram. Cinismo? Sem dúvida, mas como paradoxal autodenúncia.
Mas o maior crime de Gaga, aquilo que fará com que tantos a odeiem, não será, no entanto, o feminismo sem-vergonha que ela pratica como uma brincadeira em que o crime é justamente o que compensa? E, como ídolo pop, não poderá soar aos mais conservadores como um modo de rebelar as massas de mulheres subjugadas pela perversa autorização ao gozo, doa a quem doer?
Site da Revista CULT
Lady Gaga é o mais recente ídolo pop da cena internacional. Entenda-se por ídolo pop um indivíduo que encanta as massas com a habilidade artística de que é capaz sendo seu autor ou o mero representante de uma estética inventada por publicitários e estrategistas de produtos culturais. Nesse sentido, todo ídolo pop age como o flautista de Hamelin conduzindo por certo efeito de hipnose uma quantidade sempre impressionante de pessoas. Ele é também um guia estético e moral das massas. A propósito, entenda-se por massa um grupo de indivíduos que, ao se encontrar com outros, perde justamente a individualidade, tornando-se sujeito de sua própria dessubjetivação. Em outras palavras, ele é hipnotizado como se estranhamente desejasse sê-lo. A Indústria Cultural depende desse mecanismo, por meio do qual oferece ao indivíduo a oportunidade de se perder com a sensação de que está ganhando. O ídolo pop é a humana mercadoria que permite o gozo pelo logro que o espectador logrado aplica a si mesmo.
Lady Gaga certamente veio para nos lograr. Mas, como disse Walter Benjamin sobre livros (e também putas), muitas vezes a mercadoria vale muito mais do que o dinheirinho que pagamos por ela.
O paradoxal desejo das massas
Antes de mais nada, é preciso ver que Lady Gaga, a despeito da qualidade boa ou má de si mesma e do que ela produz, vem a nós com números impressionantes. Se na internet seus vídeos são vistos por milhões de pessoas (certamente, quando você ler este artigo, os números serão ainda maiores) é porque ela mesma sabe – ou o diretor e roteirista de seus belos videoclipes nos quais a quantidade aparece, seja na nota de dólar com o rosto de Gaga como no vídeo de “Paparazzi”, seja em “Bad Romance” nos índices na cena dos computadores – que se trata em sua obra da questão da quantidade, mais do que da qualidade. A Indústria Cultural sempre tem na quantidade uma questão mais importante do que a qualidade, mas, se Lady Gaga sabe disso e não o esconde, é porque elevou o cinismo a discurso, mas, ao mesmo tempo, lança-nos uma ironia capaz de fazer pensar.
A questão da quantidade adquire um contorno subjetivo na mentalidade dos indivíduos aniquilados no todo. Assim, uma característica expositiva da condição das massas de nosso tempo é o próprio “desejo de ser massa”. Trata-se da ânsia de adesão ao todo que se disfarça no desejo de saber o que todo mundo sabe, ver o que todo mundo vê. Complicado falar de desejo das massas, quando a “massa” remonta à possibilidade de se deixar moldar pela ação exterior justamente por ausência de desejo. Podemos, no entanto, entendê-lo usando uma imagem gasta como a da ovelha a participar do rebanho. Um modo de ter lugar desaparecendo mimeticamente no todo. Nesse sentido, o desejo de ser massa é o mesmo que nos coloca na situação de fazer parte da audiência fazendo com que liguemos a televisão no programa mais visto, que queiramos ver o filme com a maior bilheteria, que, caso cheguemos a desejar um livro, seja da lista dos mais vendidos. Fazer parte da audiência é a garantia de que em algum momento estaremos juntos, que faremos parte de uma comunidade mesmo que ela seja apenas “espectro”. A angústia da solidão, da separação e da própria individuação desaparece por um passe de mágica da imagem do ídolo pop.
Uma estética pop para o pós-feminismo?
A obra da jovem Lady Gaga não é objeto descartável como a maioria das mercadorias promovidas no contexto da indústria e do mercado cultural. Se nos detivermos em sua música, em sua dança ou em sua imagem isoladamente, não entenderemos o todo da mercadoria. Portanto, é preciso estar atento à performance que ela realiza. A apreciação disto que devemos hoje chamar de obra-produto ou produto-obra deve começar por aí, tendo em vista que, acima de tudo, Lady Gaga é uma performer que agrega em seus vídeos diversas formas artísticas que vão da música ao cinema, passando pela dança e chegando a uma relação curiosa com um aspecto inusitado da produção contemporânea nas artes visuais. Lady Gaga tange em seus vídeos mais famosos questões que estão presentes na obra de artistas contemporâneas que podemos chamar de vanguardistas por falta de expressão melhor, tais como Cindy Sherman, Daniela Edburg e Chantal Michel. No Brasil, Karine Alexandrino, Paola Rettore ou o pernambucano Bruno Vilella praticam a mesma suave ironia até o mais cáustico deboche com trabalhos sobre mulheres mortas.
O tema da mulher morta torna-se quase um lugar-comum na arte contemporânea, como foi no século 19. Naquele tempo, ele representava o impulso próprio do romantismo que via na mulher falecida e inválida um ideal agora retomado de modo irônico por diversas artistas contemporâneas. Lady Gaga vai, no entanto, muito além dessas artistas em termos de coragem feminista. Enquanto elas zombam das mulheres estereotipadas que morrem como Ofélias por um homem, Lady Gaga, de modo mais surpreendente e corajoso do que importantes artistas cultas, dá um passo adiante.
No vídeo de “Paparazzi” fica exposto o amor-ódio que um homem nutre por uma mulher, a invalidez à qual ela é temporariamente condenada por sua violência e, por fim, uma vingança inesperada com o assassinato desse mesmo homem. “Incitação à violência”, pensarão as mentes mais simples; “feminismo como ódio aos homens”, dirá a irreflexão sexista acomodada, quando na verdade se trata de uma irônica inversão no cerne mesmo do jogo simbólico que separa mulheres e homens. Se em “Paparazzi” o deboche beira o perverso autorizado psicanaliticamente (a mulher sai da posição deprimida ou melancólica e aprende a gozar com seu algoz, que ela transforma em vítima), em “Bad Romance”, “o vídeo mais visto de todos os tempos”, mulheres de branco – como noivas dançantes – surgem de dentro de esquifes futuristas para curar uma louca que chora querendo ter um “mau romance” com um homem. Um contraponto é criado no vídeo entre a imagem do rosto da própria Gaga levissimamente maquiado, demarcando o caráter angelical de sua personagem, em contraposição ao caráter doentio da personagem da mesma Gaga de cabelos arrepiados e olhos esbugalhados. Entre eles a bailarina sensual junto de suas companheiras faz o elogio do corpo que é obrigado a se erotizar diante de um grupo de homens.
A noiva é queimada. Sobre a cama, no fim, a noiva como um robô um pouco avariado, mas ainda viva, contempla o noivo cadáver. A ironia é o elogio do amor-paixão, do amor-doença e morte ao qual foi reduzido o amor romântico pela estética pop da ninfa pós-feminista. O feminismo só tem a agradecer.
Em “Telephone”, a estética eleita é a da lésbica e da pin-up. Ambas criminosas. A primeira por ser uma forma de vida feminina que dispensa os homens, a segunda por ameaçá-los com uma estética da captura (a mulher-imagem-de-papel, a mulher “cromo”, a mulher-desenho-animado que configura o conceito do “broto”, do “pitéu”). No mesmo vídeo o personagem de Gaga compartilha com Beyoncé uma cumplicidade incomum entre mulheres.
Esse sinal é dado no meio do vídeo, quando Beyoncé vai resgatar Gaga na prisão e ambas mordem um pedaço de pão, que logo é lançado fora como algo desprezível. A comida mostra-se aí como o objeto do crime. O vídeo é mais que um elogio ao assassinato do mau romance, ou da vingança contra o evidente amor bandido de quem a personagem de Beyoncé quer se vingar. Trata-se de uma profanação da comida pelo veneno que nela é depositado. O amor bandido é morto pela comida, uma arma simbólica muito poderosa associada à imagem da mulher-mãe, da mulher-doação, dedicada a alimentar seu homem na antipolítica ordem doméstica.
O palco é a lanchonete de beira de estrada como em Assassinos por Natureza, de Oliver Stone. O assassinato é o objetivo do serviço das duas moças perversas que, no fim do vídeo, dançam vestidas com as cores da bandeira norte-americana – meio Mulher Maravilha – diante dos cadáveres de suas vítimas, já que, além do amor bandido, todos morreram. Cinismo? Sem dúvida, mas como paradoxal autodenúncia.
Mas o maior crime de Gaga, aquilo que fará com que tantos a odeiem, não será, no entanto, o feminismo sem-vergonha que ela pratica como uma brincadeira em que o crime é justamente o que compensa? E, como ídolo pop, não poderá soar aos mais conservadores como um modo de rebelar as massas de mulheres subjugadas pela perversa autorização ao gozo, doa a quem doer?
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Reflexões de Análise
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
O MEU AMOR SECRETO
Meu desejo,
No inconsciente guardei você!
Na forma de homem,
Lá estava o amor,
A melhor escolha... Recalcada.
O passado era pura dor.
Eu existia sem saber, sequer, que eu era alguém.
Eu me sentia como um nada, vazia,
Colada no outro,
Sem palavra que fosse minha.
Poderia existir esperança
Para alguém tão amedrontada,
Perdida e confusa?
Num momento tempestuoso como aquele,
Seria impossível o amor aparecer.
A preciosidade zelada e escondida,
A preciosidade zelada e escondida,
Deixei lá... Você!
A insana insuportável,
Assim como uma cigana dissimulada,
Poria fogo na riqueza já nominada.
Meu amigo, meu abrigo.
Isso eu não poderia fazer!
Então deixei você, meu amor,
Então deixei você, meu amor,
Em lugar oculto, no recôndito do ser.
A neurose que me cegava antes,
Para você aparecer, deveria desfalecer.
E te poupei de mim sob o dizer confuso:
“Qualquer um, menos você"!
E te poupei de mim sob o dizer confuso:
“Qualquer um, menos você"!
Como eu poderia,
Uma menina mal resolvida,
Amargurada com as escolhas que fez na vida
Uma menina mal resolvida,
Amargurada com as escolhas que fez na vida
Consumida, desapontada,
Despertar você?
Eu faria um estrago!
Eu faria um estrago!
Então guardei.
O vento passou,
O vento passou,
Um meteoro caiu,
O arco íris surgiu,
Uma mulher apareceu.
Um mosaico
Começa a ser montado.
Embora com o medo rondando, ladino!
O amor escorria, não era mais vapor
Perdido
Já estava líquido...
Saiu!
Conversando verdades,
Retirei um homem lá de dentro.
Despontaram lembranças.
Descobri como o menino,
Descobri como o menino,
Que guardei No Livro,
Era o dono do meu coração.
Já era tarde demais.
Já era tarde demais.
Mas eu sei, e isso me basta,
Que o meu amor é você.
Mesmo distante,
É o meu tesouro, meu encanto
Que retorna ao “guardado”,
Não no inconsciente,
Mas fazendo morada em meu peito.
Malu Calado
Malu Calado
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
ATO FALHO
Uma Cliente bem lôra e produzida chega no meu trabalho procurando um livro para uma menina de 9 anos. Eu indico Ruth Rocha, mas ela diz que a menina é avançada! Vou logo pra Ética; eu indico outro livro e ela gosta...
Depois pergunta: Você tem " O corpo que fala"?
Eu- "Vc é da área de humanas?"
Ela: "Não, sou Comissária de Bordo"... Assim bem Lôra! (Lôra, vai desculpando aí viu amiga?)
Eu respondo:"Eu tenho quase certeza que temos. Vou pegar para vc."
Pensei alto: "Vou consultar o sistema, e escrevo: CORPO FALO. Ela corrige dizendo: "- É o CORPO FALA!"
Eu?: Bato na testa e digo: "É que estou pensando em PSICANÁGEM!..."
Evidente que ela não entendeu!... Nem eu?
Tô fugindo do meu analista!!
Malu Calado
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domingo, 28 de agosto de 2011
A Loucura Entre Nós
A loucura entre nós
O “a” between you and i
Aí vem um sorriso
Um corte
Um Hum!
Me fazendo ser
Quem nem imagino perceber
Nesta hora te amo mais...
Depois, em SONHO
Um vulto
Eu e você
Em seu colo chorando
Pergunto:
E agora?
O que vamos fazer?
Após mortes, tragédias
Assaltos, actings- out
Recordações, elaborações
Montar quebra cabeças?
Sete peças, eu sei
Significantes, talvez
Meus “ais”
Ao vento
É o melhor que eu tenho.
Malu Calado
A imagem que utilizei é da capa do livro do Dr. Marcelo Veras, psicanalista. Não pedi autorização para utilizar a imagem da capa, mas estava disponível no google imagens!! O livro é maravilhoso, a escrita, a pesquisa.... Não gosto muito de ver livros no chão, amo os livros!
Malu
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