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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Escolhas



Escolhas ruins...
Consequências
A dor pode surgir
Responsabilize- se
Então
Olhe o mundo de outra maneira
Tentando afastar- se da repetição.
Dê um tempo
Olhe o mar
Acalme-se
E saiba construir-se
Observe quem é você
E tome as suas decisões
Sabendo que tudo depende
Da sua escolha
Já é hora de parar de culpar o mundo
Transforme o seu mundo
E logo verá que uma alma bonita
Fará escolhas...
A culpa, a dor e o medo
Claro podem surgir
Mas sem muito peso
Importante é seguir...


 Malu Calado

quarta-feira, 22 de junho de 2011

IRRITANTE



Minha cabeça é uma panela 
Cheia de sopa de letrinhas.
Junto - as
E formo frases soltas.
Pequeninos presentes
Que serão doados
Através da fala
Àquele que sustenta,
Que segura o cabo.
 
                           
Estranha e sedutora
Psicanálise
Onde tudo esbarra
Na sexualidade.
Se falo: falo, cabo
Vertical!
A boca entorta de lado.
O equívoco se mostra
Com o gesto das mãos,
Elas mexendo - se
Na horizontal,
Enquanto o som
Emite a fala "na vertical".
Então,
Vem um risinho de banda,
Um olhar maroto
Daquele que sabe,
Que se deleita,
Tirando sarro silencioso
Do ignorante.

Malu Calado
Essa é a minha declaração de amor para a psicanálise!
E quem disse que não amamos a mãe puta, chata... A tal vaca, que mete a mão, dá educação, grita... E culpamos o tempo inteiro e demandamos amor pelo resto das nossas vidas! Pois demando, e ela me corta, e eu demando e ela me corta...E eu a amo!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A VERDADE



A VERDADE


Perdão.
Eu não sei começar ou terminar.
Presa ao sofrimento,
Não quero mais seguir em frente
Não consigo voar longe
Uma força me puxa
E eu retorno ao prazer da melancolia.

Não posso mais mentir, pois seria para mim.
Admito o gozo em sofrer
Tristeza, sufoco, pressão no estômago.
Já não agüento mais isso
E tenho vergonha.
Mas ao menos admito.
Agora, por favor, me deixe ir!

O que mais desejo é a morte.
Gosto da faca, e hoje,
Experimentei se estava amolada.
Mentir para você é mentir para mim,
Isso não farei mais.
Você me ama?
Se me ama, me deixe ir!

Nós já tentamos demais
Eu estou cansada.
Quero ficar sozinha
Com a minha alma triste
Por escolha minha.
Caso gostasse de mim
Seria mais fácil ficar aqui,
Mas eu não sei viver, aproveitar,
Eu sequer entendo o que é tirar sarro
Do sofrimento
Encontrar humor
Como tenta me mostrar.
Então, agora, me deixe ir!

Eu sei o que ouvi
Quando começa o progresso
Não sei continuar
Vem o retrocesso.
Vê como é cansativo e frustrante?
Eu avisei que não sabia começar.

Usar a faca me cortar
É mais fácil, é.
O difícil é prosseguir. 
Os dias e as noites são longos,
Não consigo sair,
Não aceito convites,
Medo? Não sei.
Sei que as obrigações eu consigo cumprir
Tenho um superego tirânico,
Ele me obriga, e assim faço alguma coisa
Mas estou cansada meu bem.
Agora quero ir e não quero voltar!

Eu sei que falei que não iria desistir,
Pedi para você consertar o fundo trocado,
O que estava de cabeça para baixo.
Você consertou, agora tenho que entrar no mundo,
Nova, como a lua, mas eu tenho medo!
Deixe-me ir, eu não quero mais ficar aqui!

Eu quero ir
O brilho desse mundo é demais para mim,
E não gosto daqui
Embora o rostinho da criança
O lugar que tenho no seu espaço
Confortem-me no dia a dia.
Eu sinto culpa
Não consigo dar conta disso
Em meus pensamentos
E o mais fácil, realmente é partir!
Deixe-me ir, pois se eu for livro me da culpa e do medo.

Você fica tão longe de mim!
E acho que sou eu mesma que afasto você
Sou tão estranha, tão tantas coisas
Mas emperro e tenho raiva
E vejo os seus olhos em mim com tanta indiferença
Um desprezo, uma irritação, uma impaciência
Sequer posso te dar um abraço.
Antes você me olhava docemente
Mas agora você esta tão distante de mim!
E agora?
Se eu gostasse de mim, mundo
Se eu acreditasse no seu amor...
Deixe-me ir!

As noites são longas, os dias
Obrigações.
Você disse que iria me ensinar a viver,
Já me salvou, fez uma cirurgia dolorosa
Para me libertar da inveja,
Mas agora, meu amor, me deixe ir!

Eu não posso mais prometer
Que não vou usar a faca, vou tentar
Mas eu quero ir!
A verdade... Você não me obriga a ficar
E mesmo assim te peço permissão...
Já confessei o gozo, e agora que sei,
Por favor, me deixe ir!

Malu Calado

terça-feira, 14 de junho de 2011

Fantasia: O homem e o animal


Fantasia: O Homem e o animal

No meio da rua parou um homem
Com uma faca enorme nas mãos,
E de um golpe só apunhalou a minha garganta
De cima para baixo, da glote à pelve
Arrastando a lâmina, puxou, rasgou o corpo.

Sem qualquer semblante,
O homem virou- se e foi embora
Como se fosse aquela mulher,
Encomenda.

Lembranças de menina invadiram os pensamentos...
A ovelha pendurada na árvore sangrava
Derramando o caldo na bacia;
Os bois suspensos em fila, no matadouro,
Os olhos arregalados, estripados, sem pele.
Os bichos da infância, em fila:
As aranhas das casas de baixo,
As formigas no pé de siriguela,
Os morcegos da sala da avó,
O umbuzeiro cheio de formigas, que era esconderijo,
Os sapos esmagados perversamente entre pedras,
Por meninos.
A vaca cortada ao meio, com o feto sendo retirado;
O jacaré em meio ao curral sendo aberto entre risos;
O tiro na cabeça do boi para o churrasco;
Por homens.
Os cavalos que foram montados... T;
Os banhos de açude escondidos,
O curral enlameado, a cancela, o mata – burro.

A menina queria ser um menino,
Mas não podia,
Queria lutar, mas não podia.

A mulher, sem respiração, consegue chegar a casa,
Coitada, nunca existe ninguém.
Deseja a faca, deita – se na cama
Pensativa, de barriga para cima,
Cansada do golpe, do corte.

Novamente surge o homem,
Como castigo pelo desejo da mulher.
Sem qualquer expressão em sua face diz:
“A faca é minha, não percebe?”
Põe – se em cima do corpo,
Insensível, indiferente, lança outro golpe,
No mesmo lugar, no mesmo sentido:
Glote – pélvis, na vertical.
Parte o corpo, divide.

A dor se espalha pelo corpo,
Mas o lençol continua branco, nenhum respingo vermelho,
Na camisa de mangas compridas
De listras rosas- Na Vertical.
O homem não olha,
Vira-se, arrumando seus instrumentos cirúrgicos
Amparados numa estante marrom.
Lá está uma bandejinha cor de prata.
Ele diz: “Você pediu sem anestesia.”

A mulher imóvel, chorando, olha para o teto branco
Ouve o ranger da porta e uma voz impiedosa:
“Foi necessário”.
E o homem, de maneira resoluta,
Pronuncia o nome dela, dizendo:
“Lembre – se, a faca é minha, quem usa sou eu”.
Vai embora.

Que assustadora fantasia!
Esgotada, vazia, pensa:
Aquilo foi preciso, urgente, necessário
Mas como ele foi distante!
Ressentiu a falta de doçura no olhar.

Mas não sente raiva,
Mesmo com aquela bandagem enrolada no seu corpo,
Lembrando a pintura de Frida, 
Foi ela quem pediu o corte, a transformação,
Não quis educação, doçura, piedade ou anestesia,
Para desvirar o quadro. 

Malu Calado


 Eu penso que o poeta é um grande egoísta. Falamos que o poema dele é lindo, mas no fundo não entendemos absolutamente nada do que ele diz... É, incluo a minha pessoa, que fala de dentro para fora frustrações de menina, e como o meu desejo, os significantes, o dito passado provoca sintomas horríveis no corpo da mulher... Malu, que se Calou...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sou sete...

A minha mente é a terra dos “quem”
Agora, claro!
E eu não gosto disso
Essa inconstância de ser
Ora menina, ora mulher
Tem que rezar, mesmo!
São um tormento meus quens...
Cruéis, diabólicas
Frágeis, piegas
O meu corpo é a prova
Vivo
De sintomas
Eles apontam
Quem?
Quantas? Horas?
Sete mentes.
Outras também... 
Insana, cheia, vazia
Sem ar, com risos, debochada...
Torcido, paralisado
O corpo
Morto em ação
Who?
A Menina de botas vermelhas
Sete léguas pequeninas
A Mulher de vestido vermelho
Sete Palmos do chão!
Um corpo inchado
Um tiro na cabeça
Explosão
Acúmulo de energia
Curto circuito
Pronto, apagou tudo
Morreu...
Who?
Hein?
O carrapato atropelado
Dó de vaca, égua, cadela
Encarnei!
Não...
Acorda... É só um pesadelo!
Malu Calado









Episódio:
Eu era uma menininha muito feliz. Passei a infância entre meninos, em fazendas. Éramos muitos primos, uns bem mais velhos e outros bem mais novos. Eu ficava, na idade, no meio de meninos. Meus irmãos são homens, então brincávamos juntos. O poema Fantasia: O homem e o animal explica bem as brincadeiras cruéis dos meninos... E eu no meio! Eu usava uma botinha sete léguas vermelhinhas e ia para o curral esperar o vaqueiro para celar um cavalo para mim (sempre montei bem). Na espera do cavalo eu matava carrapatos, explodia carrapatos enormes no chão com as minhas botinhas vermelhas! Eu queria ser um menino, mas não podia...
Já bebi um frasquinho de veneno de carrapato uma vez... (Já faz tempo. Coisa de menina cruel para atormentar pai e mãe) queria matar a mulher, meu pai e minha mãe imaginários, que não deixaram a menininha ser um menino. Há poucos dias sonhei que um tanque do exército me esmagava, e que o soldado carrasco dizia, me puxando pelo braço:- Agora é a melhor parte. Colocamos um homem aqui em baixo!
Eu pensava:- Mas eu não sou um homem, sou uma mulher!
E senti me explodir ...
Eu fazia o mesmo com os carrapatos enormes que eu catava das vacas e cavalos. Eu odiava carrapatos, pois era amante dos animais, e os explodia com as minhas botinhas vermelhas sete léguas. Mas cresci e me tornei uma mulher... A menininha cruel? Vou exorciza- la!

E é assim... O meu eu infantil é cruel com a mulher que eu sou... Mas eu carrego comigo um sonho, um amigo. Às vezes a menininha é cruel com ele também, mas a mulher o admira muito e ainda vive por conta do nó que ele dá na cabeça da menininha, ele dribla essa pestinha!

Malu