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domingo, 8 de julho de 2012

Meu Comandante


Na bagunça arrumada
Das nossas vidas
Eu e você no encontro...
Perdemos...
Cada um em seu lado.
Distante.
 
Mas nos achamos
No oposto dos dois.
Na bagunça arrumada
Das nossas vidas
O encontro dos dois
É o achado do amor
Ganhamos... 

Malu Calado

Foto retirada do Google imagens- Filme Tropa de Elite. 

Sexta-Feira




Adormeceria em sua boca
acordaria em sua boca
e no sussurro do seu sono
voltaria ao meu.
O pedaço deixado em casa
com cheiro de blusa suada
trouxe o riso em minha face.
Volta!
Acordaria com seu beijo
suaria em sua blusa
e novamente...
Adormeceria em sua boca...
Malu Calado

Caco de vidro




“O corpo, se cortar espirra um líquido vermelho...”
E dele esvai a dor do espírito
Esgota o arrepio no corpo
De medo- espanto.
Corte profundo com caco
Orgasmo...
Quando retirado caco da pele.
Envelhecida agonia
Cansativa conversa com o guia
Volta ao ciclo
Ao terror amigo...
Fim!
Que bom seria!

Malu Calado

sábado, 9 de junho de 2012

VIDA MALVADA


Eu rumino mesmo.
Qual bicho mais lindo
que a vaca?
Cresci montada em cavalo
entrando em acude
pescando piaba com goma
comendo siriguela verde
com sal da boiada.
Eu rumino mesmo.
Falo mal da vida
Não gosto dela
"Refugo e berro
essa vida malvada"
Por que me tiraram
da minha terra?

Eu rumino
Queria ser bicho
Ser currada
que nem égua
Me fizeram gente
Pior, mulher!
Aí eu rumino
de raiva
Pois eu queria mesmo
era ser uma vaca!
Malu

domingo, 3 de junho de 2012

Arvore seca



Me tire da árvore
Dessa árvore seca
Existem macacos
E eu tenho medo deles

É um conglomerado de passos
De gritos, zumbidos
Me tire da árvore
Dessa árvore seca

Faça uma oração
Para mim
Uma oração de amor
Me fale de flor
Do fino trato
Não do distrato
Me ensina o encanto
Da educação
Da retidão
Da ética
Moral

Nomes pequenos
Diante da enormidade
De princípios esquecidos

Me tire da árvore
Dessa árvore seca
Existem macacos
E eu tenho medo
Malu

sábado, 2 de junho de 2012

Renascer



Quando se vê a morte
Eu sei que algo acontece

É como se tudo bastasse

Passado, presente, futuro parasse.

Um anjo te pega

Te cerca, abre asas

E some.


Quando se vê a morte

Eu sei que algo acontece

Uma luz te invade

E fica tudo claro

Claro demais para sentir, ver e ouvir...

besteiras dos demais...

A maior de todas?

"Que não existe querer dar sem receber"!


Quando se vê a morte

Abre- se um caminho, uma ponte

E dar amor, ajudar o próximo

É como presente

Doar-se sem desejar "a sorte".

Malu 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Alguns apontamentos sobre a "Função Materna"




Com a proximidade dessa data simbólica, ao invés de escrever sobre a mãe, dentro do meu foco psicanalítico, resolvi falar da importância da função materna.
Uma coisa é ser a mãe; outra, muito diferente, é desempenhar o papel de mãe ou exercer a função materna, como se diz em psicanálise. Conceitualmente, mãe é aquela que gera biologicamente um ser; já a função materna é carregada por aquela pessoa que exerce o cuidado. Nem sempre ambas coincidem na mesma pessoa.
Nos primeiros meses de vida, o bebê se vê diante de sensações corporais e estímulos que ainda não têm nenhum sentido para ele. Não consegue diferenciar o que é ele próprio e o que são os objetos do mundo externo. Assim, em sua percepção, é como se ele e a "mãe" fossem um só.
Dessa forma, se faz necessário que alguém o ajude a perceber-se no tempo e no espaço, reconhecendo-se no seu corpo e na realidade, até conseguir estabelecer um relacionamento com o mundo externo.
O papel da pessoa que exerce a função “mãe” é de compreensão e receptividade de forma a ajudá-lo a ir dando sentido a esses sentimentos desconhecidos.
Assim, esse vínculo "mãe-filho" é fundante. Os cuidados maternos, com a alimentação e a higiene se destacam em importância na medida em que cada criança tem um lugar específico, como um ser amado, desejado por essa "mãe".
Saber exercer a função "mãe", faz parte de um aprendizado onde percebe-se como fazer para satisfazer essa criança; é a possibilidade de reconhecê-la em suas particularidades.
A função materna é desempenhada não apenas pela mulher que amamenta, mas pela pessoa que olha nos olhos da criança, pela que ouve o que ela diz, pela que está atenta aos seus sinais. Somente dessa forma, a criança percebe -se como um ser único, e importante.
A “mãe suficientemente boa”, como dizia Winnicott, é a pessoa que proporciona suporte entre o afeto e as necessidades fisiológicas até os processos de separação, gerando confiança na criança para suportar-se sozinha posteriormente.
As “boas mães” são as pessoas que supostamente falham de forma a permitir que o amadurecimento daquele sujeito possa ocorrer. É a falta dessa "mãe" que, na medida certa, levará a criança a tolerar suas próprias angústias e contar consigo nas demais fases da vida.
O lugar da verdadeira maternidade é destinado àquelas pessoas que estão dispostas a suportar a imperfeição, a não completude, pois como dizia, Freud, educar é tarefa impossível. Os requisitos básicos para ocupá-lo, é estar proposta a amar e cuidar, negar quando se fizer preciso, ter paciência, tolerância e compaixão, teimosia na insistência de estabelecer princípios, ser exemplo do que se prega e, acima de tudo, gradativamente, saber liberar esse ser, com carinho e zelo, para o mundo.
Lucia Gomes