Páginas

domingo, 8 de julho de 2012

Caco de vidro




“O corpo, se cortar espirra um líquido vermelho...”
E dele esvai a dor do espírito
Esgota o arrepio no corpo
De medo- espanto.
Corte profundo com caco
Orgasmo...
Quando retirado caco da pele.
Envelhecida agonia
Cansativa conversa com o guia
Volta ao ciclo
Ao terror amigo...
Fim!
Que bom seria!

Malu Calado

sábado, 9 de junho de 2012

VIDA MALVADA


Eu rumino mesmo.
Qual bicho mais lindo
que a vaca?
Cresci montada em cavalo
entrando em acude
pescando piaba com goma
comendo siriguela verde
com sal da boiada.
Eu rumino mesmo.
Falo mal da vida
Não gosto dela
"Refugo e berro
essa vida malvada"
Por que me tiraram
da minha terra?

Eu rumino
Queria ser bicho
Ser currada
que nem égua
Me fizeram gente
Pior, mulher!
Aí eu rumino
de raiva
Pois eu queria mesmo
era ser uma vaca!
Malu

domingo, 3 de junho de 2012

Arvore seca



Me tire da árvore
Dessa árvore seca
Existem macacos
E eu tenho medo deles

É um conglomerado de passos
De gritos, zumbidos
Me tire da árvore
Dessa árvore seca

Faça uma oração
Para mim
Uma oração de amor
Me fale de flor
Do fino trato
Não do distrato
Me ensina o encanto
Da educação
Da retidão
Da ética
Moral

Nomes pequenos
Diante da enormidade
De princípios esquecidos

Me tire da árvore
Dessa árvore seca
Existem macacos
E eu tenho medo
Malu

sábado, 2 de junho de 2012

Renascer



Quando se vê a morte
Eu sei que algo acontece

É como se tudo bastasse

Passado, presente, futuro parasse.

Um anjo te pega

Te cerca, abre asas

E some.


Quando se vê a morte

Eu sei que algo acontece

Uma luz te invade

E fica tudo claro

Claro demais para sentir, ver e ouvir...

besteiras dos demais...

A maior de todas?

"Que não existe querer dar sem receber"!


Quando se vê a morte

Abre- se um caminho, uma ponte

E dar amor, ajudar o próximo

É como presente

Doar-se sem desejar "a sorte".

Malu 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Alguns apontamentos sobre a "Função Materna"




Com a proximidade dessa data simbólica, ao invés de escrever sobre a mãe, dentro do meu foco psicanalítico, resolvi falar da importância da função materna.
Uma coisa é ser a mãe; outra, muito diferente, é desempenhar o papel de mãe ou exercer a função materna, como se diz em psicanálise. Conceitualmente, mãe é aquela que gera biologicamente um ser; já a função materna é carregada por aquela pessoa que exerce o cuidado. Nem sempre ambas coincidem na mesma pessoa.
Nos primeiros meses de vida, o bebê se vê diante de sensações corporais e estímulos que ainda não têm nenhum sentido para ele. Não consegue diferenciar o que é ele próprio e o que são os objetos do mundo externo. Assim, em sua percepção, é como se ele e a "mãe" fossem um só.
Dessa forma, se faz necessário que alguém o ajude a perceber-se no tempo e no espaço, reconhecendo-se no seu corpo e na realidade, até conseguir estabelecer um relacionamento com o mundo externo.
O papel da pessoa que exerce a função “mãe” é de compreensão e receptividade de forma a ajudá-lo a ir dando sentido a esses sentimentos desconhecidos.
Assim, esse vínculo "mãe-filho" é fundante. Os cuidados maternos, com a alimentação e a higiene se destacam em importância na medida em que cada criança tem um lugar específico, como um ser amado, desejado por essa "mãe".
Saber exercer a função "mãe", faz parte de um aprendizado onde percebe-se como fazer para satisfazer essa criança; é a possibilidade de reconhecê-la em suas particularidades.
A função materna é desempenhada não apenas pela mulher que amamenta, mas pela pessoa que olha nos olhos da criança, pela que ouve o que ela diz, pela que está atenta aos seus sinais. Somente dessa forma, a criança percebe -se como um ser único, e importante.
A “mãe suficientemente boa”, como dizia Winnicott, é a pessoa que proporciona suporte entre o afeto e as necessidades fisiológicas até os processos de separação, gerando confiança na criança para suportar-se sozinha posteriormente.
As “boas mães” são as pessoas que supostamente falham de forma a permitir que o amadurecimento daquele sujeito possa ocorrer. É a falta dessa "mãe" que, na medida certa, levará a criança a tolerar suas próprias angústias e contar consigo nas demais fases da vida.
O lugar da verdadeira maternidade é destinado àquelas pessoas que estão dispostas a suportar a imperfeição, a não completude, pois como dizia, Freud, educar é tarefa impossível. Os requisitos básicos para ocupá-lo, é estar proposta a amar e cuidar, negar quando se fizer preciso, ter paciência, tolerância e compaixão, teimosia na insistência de estabelecer princípios, ser exemplo do que se prega e, acima de tudo, gradativamente, saber liberar esse ser, com carinho e zelo, para o mundo.
Lucia Gomes

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Uma Doce Mentira

Uma comédia de Pierre Salvadori com Audrey Tautou- Nathalie Baye e Sami Bouajila- Conta com humor e amor a relação entre mãe e filha. Uma mãe que após a depressão da separação se encontra musa; e de uma filha, que sai da posição de cuidar da mãe, para cuidar da sua própria vida... E isso por conta de uma linda carta de amor... Lindo e doce o filme me fez pensar escrever cartas de amor, cuidar bem da filha... Até deixei que ela me comprasse brincos ontem!

Malu

terça-feira, 22 de maio de 2012

No livro O DEUS SELVAGEM, publicado pela Companhia das Letras- O Autor Inglês A. Alvarez aborda a questão do suicídio sob a ótica mais subjetiva- pessoal, "com suposto estudo psicanalitico" e utilizando- se bastante da literatura para afirmar que o desejo da morte, ou mesmo o pedido de socorro- como afirmam os que não querem aceitar a morte como desejo- é nitidamente melancolico e até, muitas vezes fácil ou difícil de prever. Para mim o suicídio de Silvia Plath era fácil de prever- mas entre os poetas o gozo da melancolia era essencial para a produção... Só um comentário.

Para o "suicídio" de Silvia Plath o autor tenta uma explicação curiosa- psicanalítica- interessante- que ele diz Freud explicar- mas a realidade é que eu gostaria da visão Lacaniana.
Ele escreve assim:

" Só Deus sabe que ferida a morte de seu pai lhe causara na infância (Silvi tinha 9 anos), mas ao longo dos anos essa ferida foi se transformando na convicção de que ser um adulto significava ser um sobrevivente. Então, para ela, a morte era uma dívida a ser paga uma vez a cada década:para poder continuar viva como mulher adulta, mãe e poetisa, tinha de pagar- de alguma forma mágica e parcial- com a vida. Mas como esse pagamento impossível também envolvia a fantasia de unir- se ao amado pai morto ou recuperá- lo de alguma forma, ele era também um ato passional, impregnado tanto de amor como de ódio e desespero..."

Silvia criava abelhas, enquanto o seu pai fora uma autoridade em tal assunto- seria essa uma maneira de "simbolicamente aliar- se ao pai"?

O autor do livro põe a separação de Silvia e Ted Hugues (nome muito respeitado entre os poetas) como o estopim- a desconexão de Silvia com a realidade. Mas o fato é que no dia anterior à sua morte, chega em sua casa, com atraso dos correios- a carta de uma terapeuta marcando um encontro com Silvia- mãe, mulher, poeta melancólica e apaixonada... Era fácil de prever. Ela amava a melancolia, os filhos, a terra; sabia que precisava de ajuda e buscou. Ponto. Mas como tudo é culpa da mãe, o autor resolveu inovar, e colocar a culpa no pai...
Malu Calado

"Fiz novamente
Uma vez a cada dez anos
Chego lá-

Uma espécie de milagre ambulante(...)
Tenho só trinta anos.
E como o gato tenho nove vidas para morrer.

Esta é a número Três (...)"

Silvia Plath